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Quarta-feira, 26 de Janeiro de 2005
Livraria Buchholz - Programa de 27-1-2005
A Livraria Buchholz pretende no futuro regularmente retomar a sua tradição de espaço onde se celebram livros e ideias, se sublinham acontecimentos marcantes e se promove a discussão e o debate.

CONTAMOS COM A SUA PRESENÇA NO DIA 27 DE JANEIRO NA SESSÃO:


AUSCHWITZ

“Ninguém testemunha pela testemunha”
Paul Celan


27 de Janeiro de 1945 a 27 de Janeiro 2005

60 Anos da libertação do campo de Auschwitz
pelo Exército Vermelho

Programa

A partir das 10h30m, em sessão contínua, apresentação do filme-documentário Shoah de Claude Lanzmann (3h, última sessão às 21h)

A partir das 18h30m, debate moderado por António Guerreiro com Esther Mucznik
Gonçalo M. Tavares, Manuel Villaverde Cabral, Maria Filomena Molder, Teresa Seruia

À hora de almoço, entre as 12h30m e as 14hh30m, leituras de poemas e textos de Paul Celan, Robert Antelme, Primo Levi, Jorge Semprun, Borowski, Imre Kertész e muitos outros....
em diferentes espaços por convidados e frequentadores da livraria que assim o desejem

Exposição-Venda de Livros



Sobre Shoah de Claude Lanzmann:

" Shoah " é sobretudo os lugares, palavras, rostos e é uma outra experiência, é uma encarnação. Ver " Shoah " é uma experiência. Claude Lanzmann:

Uma das formas de lidar com a impossibilidade de representação do horror foi aquela encontrada por Claude Lanzmann em “Shoah”, lançado em 1985. Não oferece qualquer imagem do que foram os campos de concentração, do que foi o sofrimento de cada vítima. Não há qualquer movimento de câmara estetizante, não há possibilidade de qualquer identificação entre o que vivemos hoje e o que se passou naquele momento. É uma história que precisa ser narrada no seu inenarrável. Shoah significa em hebraico ‘catástrofe’ e é o termo que vem sendo usado a fim de evitar a banalização pela qual passou o termo ‘holocausto’ para designar a morte de milhões de judeus pelo nazismo. Shoah dura nove horas (na versão integral) e não tem uma única cena que mostre a violência nazi nos campos de concentração. Contrariamente aos filmes ficcionais como “O Pianista” ou “A Lista de Schindler”, obscenos para Lanzmann. Em“Shoah”, não há uma única cena de prisioneiro famintos. Ele filma lugares dos principais campos de concentração nos dias de hoje: a vegetação é exuberante, surpreendentemente colorida. Lanzmann trabalha tanto com os depoimentos dilacerantes dos que sobreviveram e choram diante da câmara, como de antigos funcionários da S.S. hoje trabalhando em bares com a conivência de todos.
“Pela primeira vez, na nossa cabeça, no nosso coração, na nossa carne, vivemos uma experiência atroz” escrevia Simone de Beauvoir a quando da estreia do filme em 1985. Provação singular, Shoah conduz o mundo dos vivos ao encontro dos seres que vivem na morte. Sobreviventes, carrascos, testemunhos activos ou não, todos são marcados por aquilo que permanece um enigma. Por que razão houve homens a decretar que uma categoria de seres humanos deveria desaparecer da superfície da terra. (...)
Entre 1976 e 1982, trezentas e cinquenta horas de filme foram rodadas, pelo escritor e cineasta Claude Lanzmann que seguiu metodicamente os vestígios da infâmia, identificou os lugares e escutou vítimas, criminosos e testemunhas.. (...) A visão deste filme é uma experiência, um pôr à prova, que mesmo indirectamente vivido, deixa marcas profundas. (...) A singularidade de Shoah perdura. Não se trata de um trabalho de jornalista ou de historiador, mas de uma criação artística, de uma tragédia alucinatória, tanto por aquilo que transmite, como pelo seu modo de o fazer. Claude Lanzmann fez uma obra de vida contra a obra da morte,
Michel Doussot, jornalista


Shoah - filmar o indizível
Com uma reflexão contínua sobre o modo de filmar a realidade do aniquilamento ou, mais cruamente, o como filmar a morte. A essência do filme assenta na reflexão entre as palavras do extermínio e as imagens despidas de todo o “voyeurisme’. Shoah assenta en grande parte na noção de identificação já que é indispensável ao projecto que o espectador se torne, ele próprio, naquele que vai morrer. Para Lanzmann, trata-se de dar a ver, depois de dar a compreender e, finalmente de dar a ser . (...) Assim, na cena da locomotiva com Henrik Gawkowski, a câmara é colocada de tal modo que o espectador descobre o painel Treblinka à saída da sua viagem. Ou em Auschwitz, no trajeto da escadaria que conduz à sala do crematório, a câmara ao ombro dá-nos conta na realidade da descida pelo trermer da imagem. Mas o ponto de vista da câmara não se centra no de uma só personagem. Pode ser o ponto de vista de um sobrevivente, de um judeu “ressuscitado”; pode ser o do próprio, Claude Lanzmann no decurso, por exemplo do seu encontro com o SS Unterscharführer Franz Suchomel. Pontos de vista múltiplos.
René Paulin, professor de “Lettres Modernes”


Livraria Buchholz
Rua Duque de Palmela, 4 – 1250-098 Lisboa
Telf 213170580
Fax 213522634
e-mail: buchholz@mail.telepac.pt


Yulunga


publicado por yulunga às 13:09
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4 comentários:
De Anónimo a 27 de Janeiro de 2005 às 10:00
Uma das livrarias mais belas que conheço. :)Vaca Louca
(http://vacaebadalo.blogspot.com)
(mailto:vacaebadalo@gmail.com)
De Anónimo a 27 de Janeiro de 2005 às 09:40
You may say sorry. You forgot the "Duracell".yulunga1
(http://yulunga.blogs.sapo.pt)
(mailto:yulunga@sapo.pt)
De Anónimo a 26 de Janeiro de 2005 às 23:21
Sorry, Yulunga, this dildo is in your hand, know.Badalo
(http://vacaebadalo.blogspot.com)
(mailto:vacaebadalo@gmail.com)
De Anónimo a 26 de Janeiro de 2005 às 17:10
Nem pensar... já me chegou o programa que tive de aturar em casa na passada 2ª feira sobre essa comemoração... um programa que passou na TV5 e que teve como figura central a Simone Veil, uma das sobreviventes desse campo...Carlos Tavares
(http://o-microbio.blogspot.com)
(mailto:carlos.roquegest@mail.telepac.pt)

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